Ângela Portela defende um pacto nacional para combater a violência

Brasília –  A senadora Ângela Portela defende que seja criado um pacto nacional de combate à violência. Ela cita os dados do Atlas da Violência, uma parceria entre o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgado no início de junho, que revelam números impactantes da violência contra os jovens, as mulheres e os negros, as principais vítimas da violência crescente. Ângela diz que sua sugestão de criar um pacto com todas as esferas do poder público visando o combate à violência, vem de encontro à constatação dos pesquisadores: no Brasil, apenas em três semanas, morrem mais pessoas assassinadas do que o número de vítimas de atentados terroristas em todo o mundo ocorrido nos cinco primeiros meses de 2017.

Para ela, isso significa que, a cada três semanas, mais de 3,3 mil pessoas são mortas no Brasil vítimas da violência que grassa não só nas grandes cidades, mas também nos pequenos e médios Municípios brasileiros. “É um cenário de guerra que, para além de revoltante, ultrajante e inaceitável, precisa provocar nas autoridades brasileiras uma reação séria e contundente no sentido de traçar e executar políticas públicas consistentes e eficazes que possam reverter essa tragédia que tem ceifado, dia após dia, a vida de nossos jovens” .

Entre os números, a senadora ressalta que 47,8% do total de mortes de jovens do sexo masculino registradas em 2015 se deram por homicídio. Se for considerada a faixa etária de 15 a 19 anos, a taxa de assassinatos sobe para  53,8%. De 2005 a 2015, 318 mil jovens pereceram vítimas de homicídios. “Preocupa, também, a difusão da violência nas cidades menores do interior do Brasil, bem como sua migração para as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. O Atlas da Violência mostra que, de 2005 a  2015, todos os Estados da Federação que registraram aumento de taxas de homicídios superior a 100%       estão localizados no Norte e no Nordeste”, diz.

Os negros são as principais vítimas da violência, representando 71% das vítimas de homicídios. Entre os anos mencionados no Atlas, a mortalidade de não negros diminuiu 12,2% e já a mortalidade dos negros subiu 18,2%. “Essa triste realidade é o reflexo da   profunda            desigualdade          social que ainda existe no Brasil, e que tende a se agravar em um Governo de um Presidente ilegítimo, envolvido em corrupção, um Governo concebido e executado para os mais ricos, e os negros são a parcela mais excluída da população”.

Outro índice citado pela Senadora, é o aumento de 7,5% registrado nos homicídios de mulheres entre 2005 e 2015. Enquanto a mortalidade de mulheres brancas diminuiu 7,4% no período, o número de negras que perdeu sua vida subiu 22%.  Ela ressalta que ser mulher, ser negra e ser pobre é estar em risco permanente de ser vítima de homicídio. 

“Precisamos dar continuidade às políticas afirmativas que garantam uma verdadeira e duradoura inclusão dos jovens, dos negros e das mulheres, políticas essas que vemos ameaçadas por um Governo que só governa para as elites, para os ricos. Sem essas medidas, o futuro do nosso País estará seriamente ameaçado. Não podemos mais permitir que o Brasil viva uma realidade de guerra em tempos de paz”, conclui.