Ângela Portela denuncia descaso de companhias aéreas com passageiros de Roraima

Brasília – A senadora Ângela Protela denunciou nesta quarta (14), o descaso das companhias aéreas com os passageiros de Roraima e do Amazonas. As empresas aéreas Latam e Azul Linhas Aéreas, que prestam serviço à Região Norte, anunciaram que, a partir de setembro, precisarão passar dez horas em trânsito nos voos entre as vizinhas capitais de Boa Vista e Manaus. O tempo normal entre elas é de cerca de uma hora.

De acordo com a Latam, a partir de 1º de setembro, os passageiros que precisarem se deslocar no trecho Manaus-Boa Vista ou o contrário terão de fazer escala no aeroporto de Brasília, para poderem chegar ao destino desejado. “Nós, passageiros de Roraima, seremos os mais prejudicados tendo em vista ser o trecho que mais usamos no nosso cotidiano”.

A Azul, por sua vez, anunciou mudanças que fez nos horários dos voos, no trecho Boa Vista–Manaus-Boa Vista, e argumentou que a alteração teria foco nas conexões de Manaus para outras cidades.

A parlamentar critica o fato de que as mudanças visam, em primeiro plano, à conectividade com outros voos, e não aos interesses e condições de viagem dos clientes que fazem a rota Manaus-Boa Vista-Manaus. “Se hoje somos obrigados a nos submeter aos ditames do mercado, podemos imaginar como iremos ficar, caso seja aprovada a MP que dá a grupos estrangeiros a permissão de controlar 100% do capital de empresas aéreas brasileiras, proposta que está para ser votada na Câmara dos Deputados”.

De acordo com o Código Brasileiro de Aeronáutica, grupos estrangeiros podem ter, no máximo, 20% do capital de empresas aéreas nacionais. “Porém, essa medida provisória enviada ao Congresso, com novas regras de financiamento do setor aéreo brasileiro, abria totalmente as portas para o capital estrangeiro, tirando, assim, o controle das mãos das empresas brasileiras”, explica Ângela.

Ela afirma, também, que a MP só foi aprovada mediante acordo firmado com os governistas de que Temer vetaria o trecho que elevava para 100% a participação de estrangeiros no setor aéreo nacional. “Eu fui relatora dessa medida provisória e defendi o controle máximo de 49% do capital das companhias aéreas por empresas brasileiras, rejeitando, portanto, o conteúdo vindo da Câmara dos Deputados, que autorizava 100% de capital estrangeiro, o que se traduzia em um verdadeiro atentado à nossa soberania nacional.”

Além dos transtornos do tempo, a senadora lembra das fortes relações comerciais entre Boa Vista e Manaus, o que vai prejudicar a economia, especialmente de Roraima. “Teremos de ir de Boa Vista para Brasília e de Brasília para Manaus. É um absurd que vai custar muito caro para a população do meu estado”, finaliza.