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Ministro garante a Ângela que não desistiu do Linhão de Tucuruí

A senadora Ângela Portela cobrou nesta terça-feira (26), do ministro de Minas e Energia, Fernando Bezerra Coelho Filho, providências imediatas para solução da crise energética de Roraima. Em resposta à senadora, o ministro garantiu que não foi abandonado o projeto de construção do Linhão de Tucuruí.

Ao questionar o ministro em audiência conjunta das comissões de Assuntos Econômicos (CAE) e de Serviços de Infraestrutura (CI) do Senado, Ângela mostrou que toda Roraima se considera prejudicada com a má qualidade dos serviços prestados pela Eletrobras, que pioraram depois que a estatal assumiu a CERR. Lembrou ainda que o presidente da Eletrobras Roraima falou em mudança da matriz energética do estado, com prioridade para energia eólica, solar e de biomassa.

Uma privatização da Eletrobras, afirmou Ângela Portela, seria prejudicial para o País, por ameaçar sua segurança energética, e mais ainda para Roraima, que já paga alto preço por serviço de péssima qualidade.

O presidente da sessão, Eduardo Braga, considerou tão relevantes as observações de Ângela que pediu ao ministro para responde-las imediatamente e não em bloco, como vinha sendo feito.

Fernando Coelho Filho disse que as obras do Linhão de Tucuruí só não foram destravadas até agora por culpa da Funai, que impede a passagem da linha de transmissão pela área da reserva Waimiri-Atroari.  Nesse sentido, responsabilizou pela demora “outras pessoas”, que nem indígenas são, que exigem um pedágio para a passagem da linha. “Isso a Eletrobras não pode aceitar”, disse.

Cobrado por Ângela, o ministro disse que a Eletrobras negocia agora a saída do sócio privado do consórcio constituído para construir o Linhão, assumindo sozinha os trabalhos. Acrescentou que, em sua opinião, a linha de transmissão sequer passa por área propriamente indígena, mas por servidão da BR-174, rodovia federal.

De acordo com Fernando Coelho Filho, o altíssimo custo da energia em Roraima garante a extrema rentabilidade do Linhão. “Em menos de um ano os custos estariam cobertos”, calculou o ministro, ao insistir que a Eletrobras assumirá as obras do Linhão.

Como a senadora mostrou estranheza pela ideia de mudança na matriz energética, Fernando Coelho garantiu que os estudos feitos pelo Ministério das Minas e Energia não pretendem substituir a matriz e muito menos a forma de geração de energia. Energia eólica ou solar poderiam, sim, receber investimentos, mas só teriam papel complementar à energia do sistema integrado.

Confirmou assim que não se pretende mudanças radicais na matriz energética. Como observou Ângela, projetos pontuais para outras fontes, caso da biomassa, eólica e solar, se justificam, por exemplo, para comunidades isoladas, em geral indígenas, que precisam acabar com a dependência do diesel.